Antonelli lidera TL2 da F1 em Madri; Lindblad bate e Bortoleto é 13º

Italiano da Mercedes fecha sexta-feira na frente das Ferrari de Leclerc e Hamilton; novo circuito é marcado por desgaste dos pneus, problemas mecânicos e dificuldade para ultrapassar

Andrea Kimi Antonelli foi o piloto mais rápido do segundo treino livre do GP da Espanha de Fórmula 1, nesta sexta-feira (11), no novo circuito de Madri. O italiano da Mercedes marcou 1min33s662 e terminou a sessão à frente de Charles Leclerc e Lewis Hamilton, enquanto Gabriel Bortoleto ficou na 13ª colocação. A atividade também foi marcada pelo acidente de Arvid Lindblad, que provocou a primeira bandeira vermelha do fim de semana, e pelos problemas enfrentados por Lando Norris e Fernando Alonso.

O TL2 trouxe um cenário ainda bastante incerto no Madring. Com a pista evoluindo rapidamente, as equipes tiveram dificuldades para encontrar o acerto ideal, enquanto os pilotos precisaram lidar com tráfego, muros próximos e elevado desgaste dos pneus. George Russell, quinto colocado, resumiu o desafio ao comentar que o comportamento observado no primeiro treino poderia levar a estratégias pouco convencionais na corrida.

“Era uma possibilidade que tínhamos considerado, algo que costuma acontecer com asfaltos novos. O nível de aderência é muito alto, mas os carros escorregam bastante. Com a configuração usada no TL1, uma corrida com seis pit-stops teria sido a estratégia mais rápida”, brincou o britânico.

Segundo Russell, o desgaste apresentou alguma melhora durante o TL2, mas ainda representa uma das principais incógnitas para o domingo. “A situação melhorou um pouco no TL2, e tenho certeza de que estará ainda melhor na corrida de domingo, mas esse continua sendo o principal ponto de interrogação”, afirmou.

As Ferrari começaram o TL2 em destaque, com Charles Leclerc e Lewis Hamilton aparecendo nas primeiras posições utilizando pneus médios. Arvid Lindblad também chamou atenção ao colocar a Racing Bulls entre os primeiros colocados.

Ao longo da sessão, porém, a Mercedes voltou a assumir o protagonismo. George Russell chegou a liderar a tabela, enquanto Antonelli passou a estabelecer o ritmo mais forte. Max Verstappen também chegou à primeira posição, mas teve uma volta de 1min34s378 anulada por exceder os limites de pista na curva 17.

Com os pneus macios, Antonelli consolidou a liderança ao marcar 1min33s662. Leclerc terminou apenas 0s113 atrás, enquanto Hamilton ficou a 0s149 do italiano.

Apesar do bom desempenho da Ferrari, o chefe da equipe, Frédéric Vasseur, adotou cautela ao analisar os resultados. Para o francês, os tempos dos treinos ainda não são suficientes para estabelecer uma hierarquia clara.

“O acerto ideal é aquele que funciona bem na classificação, e não necessariamente no primeiro treino livre de sexta-feira”, explicou Vasseur.

O dirigente destacou justamente a evolução da pista como um dos principais fatores que podem alterar o cenário até a classificação.

“Sabemos que haverá uma enorme evolução da pista, inclusive ao longo de cada sessão, e o que será realmente crucial é conseguir prever o nível de aderência que os pilotos encontrarão no Q3 e estar preparados para isso. Não faz sentido ser o melhor nos treinos livres e não na classificação”, afirmou.

Vasseur também ressaltou a complexidade do novo circuito. “É um desafio, já que a pista apresenta praticamente todos os tipos de curvas da temporada, e é um bom exercício para os engenheiros”, disse.

Para o chefe da Ferrari, a capacidade de entender a evolução da pista será determinante. “É difícil estimar como o nível de aderência vai evoluir entre o TL3 e a classificação, e até mesmo durante a própria classificação. A gestão da energia no trecho de alta velocidade também é complicada, e acho que a chave será estimar o ritmo que teremos no Q3”, completou.

Quando os pilotos começaram a utilizar os pneus macios, Lindblad vinha apresentando um desempenho surpreendente e chegou a ocupar a quarta colocação. Cinco minutos depois, porém, o piloto da Racing Bulls perdeu o controle do carro na curva 13 e bateu, provocando a primeira bandeira vermelha do fim de semana.

Mesmo com o acidente, Lindblad terminou o treino em quarto, com 1min33s890.

A sessão também teve um susto com Liam Lawson. O piloto da Red Bull relatou falta de aderência na traseira e afirmou ter tocado uma das paredes do circuito, mas conseguiu retornar aos boxes.

Para Russell, a quantidade relativamente baixa de incidentes durante a sexta-feira não significa que os pilotos estejam totalmente confortáveis com o traçado. Pelo contrário.

“Sem dúvida, é um circuito de altíssimo risco, e acredito que hoje todos os pilotos estejam adotando uma certa margem de segurança. Vamos ver como será amanhã”, avaliou.

Gabriel Bortoleto completou 25 voltas e terminou o TL2 na 13ª posição, com 1min35s170. O brasileiro ficou 1s508 atrás de Antonelli e à frente de Oliver Bearman e Franco Colapinto.

O resultado colocou Bortoleto entre os dois carros da Haas e deixou o piloto da Audi próximo do grupo intermediário em uma sessão na qual a diferença entre os competidores ainda pode mudar bastante com a evolução da pista.

Um dos grandes prejudicados da sessão foi Lando Norris. Depois de terminar o TL1 na sexta posição, o atual campeão mundial praticamente não conseguiu trabalhar durante a tarde.

O piloto da McLaren chegou a reclamar do comportamento do carro e acabou sendo chamado de volta aos boxes. A equipe identificou um problema na caixa de câmbio e não conseguiu recolocá-lo na pista.

Norris terminou oficialmente em 22º e foi o único piloto sem tempo registrado.

“Foi um dia complicado. É bom ter tido a chance de dar voltas durante a manhã, quando identificamos algumas mudanças que precisávamos fazer no carro. Mas, no fim, não pudemos progredir no TL2 devido a um problema na caixa de câmbio”, lamentou.

A perda de tempo é ainda mais significativa porque Madri é um circuito novo para todos os pilotos.

“Sempre que você vai a um novo circuito, o tempo de pista é muito importante. Como perdemos o TL2, estamos claramente um passo atrás”, reconheceu Norris.

O britânico, no entanto, acredita que a McLaren poderá recuperar parte do terreno perdido utilizando os dados de Oscar Piastri.

“Vamos trabalhar bastante durante a noite, analisando os dados do TL1 no carro do Oscar e das equipes ao redor de nós, para aprender o máximo possível antes do TL3”, explicou.

Apesar do problema, Norris demonstrou expectativa para voltar ao circuito. “Foi legal poder dar as primeiras voltas em Madri. É um circuito interessante, e estou ansioso para dar mais algumas voltas antes da classificação de amanhã”, completou.

Max Verstappen terminou o TL2 na sexta posição, com 1min34s063, a 0s401 de Antonelli. O piloto da Red Bull passou boa parte da sessão realizando testes e também enfrentou dificuldades com o tráfego.

Questionado sobre o comportamento do carro, o neerlandês descartou problemas importantes e explicou que a equipe utilizou o treino para buscar soluções pensando no restante do fim de semana.

“Estava tudo bem. Você sempre quer trabalhar e evoluir algumas coisas durante os treinos, é o que tentamos pensando em amanhã. E vamos ver onde isso nos leva”, afirmou.

Verstappen espera aproveitar o TL3 para ganhar desempenho.

“O TL3 vai ajudar, se for limpo e sem complicações. Vamos tentar encontrar mais performance no carro”, completou.

Fernando Alonso também teve sua programação prejudicada. Um problema na embreagem da Aston Martin, identificado ainda no fim do TL1, fez com que o espanhol perdesse parte importante do segundo treino.

Alonso completou apenas 16 voltas e terminou em 17º, a 3s118 do líder.

“Foi complicado lidar com o tráfego, mas foi erro nosso estarmos fora de sintonia”, admitiu o bicampeão mundial.

O piloto explicou que o problema mecânico acabou comprometendo o planejamento da equipe.

“Infelizmente tivemos esse problema no final do TL1, quando treinávamos a largada, e isso atrasou um pouco o cronograma do TL2. Ficamos fora de sintonia com as simulações de corrida longa e classificação. Estamos um pouco atrasados em relação ao planejado”, afirmou.

Mesmo assim, Alonso acredita que a Aston Martin pode evoluir no sábado.

“Acho que amanhã, na classificação, deve ser melhor. Mas, claro, acertar tudo sempre é difícil”, disse.

O espanhol também apontou alguns dos fatores que ainda precisam ser trabalhados, como o comportamento dos pneus e a energia disponível ao longo da volta.

“Questões como temperatura dos pneus, nível de carga da bateria no final da volta… às vezes, mudar o estilo de pilotagem nas curvas finais — e parece que somos muito sensíveis a isso com a unidade de potência da Honda. Então há algumas coisas que estamos descobrindo e que certamente precisamos corrigir”, explicou.

Para Alonso, a classificação será especialmente importante diante da dificuldade de ultrapassar no circuito de Madri.

“Vai ser difícil ultrapassar — para nós, quase impossível, devido à desvantagem nas retas. Então, a classificação será importante”, destacou.

Ainda assim, o espanhol mantém uma perspectiva positiva para a corrida.

“Precisamos ver a bandeira quadriculada e fazer a nossa própria corrida. Portanto, independentemente do resultado na classificação de amanhã, acho que ainda há esperança para o domingo, se executarmos a corrida com perfeição. Esse é o objetivo”, encerrou.

Além do desgaste dos pneus, Russell chamou atenção para outro problema que pode influenciar diretamente o GP: a dificuldade para realizar ultrapassagens.

“Será muito difícil. Se encontrarmos o mesmo nível de desgaste dos pneus que vimos no TL1, as coisas seriam um pouco mais fáceis. Mas, sim, de qualquer forma, será difícil”, afirmou.

Com os muros próximos e poucas oportunidades claras de ultrapassagem, a classificação deve ganhar ainda mais importância no novo circuito.

Vasseur também foi questionado sobre a situação da unidade de potência utilizada por Charles Leclerc. Após o forte acidente no GP da Itália, a Ferrari optou por utilizar no carro do monegasco uma versão anterior do motor, sem as atualizações desenvolvidas por meio da segunda concessão do ADUO.

Questionado sobre o assunto, o chefe da Ferrari preferiu não revelar detalhes.

“Se posso esclarecer alguma coisa sobre a unidade de potência dele? Não, não posso e certamente não vou fazer isso, mas vocês fizeram bem em tentar”, brincou.

Vasseur, porém, elogiou a postura de Leclerc no novo circuito.

“Charles está sempre confiante nesse tipo de pista. Tenho a impressão de que ele adora esse tipo de circuito e vem conseguindo bons resultados, mas isso não era algo garantido depois de Monza. De qualquer forma, estou muito satisfeito”, encerrou.

A Fórmula 1 retorna ao circuito de Madri neste sábado (12), para o TL3, às 7h30 (horário de Brasília). A classificação está marcada para 11h, enquanto a largada do GP da Espanha acontece no domingo (13), às 10h.

FOTO: Fórmula 1/Reprodução

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