Relatório de Sustentabilidade aponta que campeonato impactou mais de 86 mil pessoas e gerou valor social estimado em € 5,6 milhões
A Fórmula E divulgou nesta segunda-feira (21) o Relatório de Sustentabilidade referente à temporada 2024/25, apresentando um crescimento de 241% no impacto social em comparação com o campeonato anterior. Ao longo da temporada, a categoria alcançou 86.007 pessoas e trabalhou em parceria com 960 organizações comunitárias locais nas cidades que receberam as etapas do Mundial.
De acordo com o levantamento, uma metodologia de impacto socioeconômico desenvolvida em parceria com a Deloitte estimou em € 5,6 milhões o valor social gerado pelas ações da Fórmula E, com um Retorno Social sobre o Investimento (SROI) estimado em 2,7.
O relatório mostra como o campeonato busca transformar as atividades realizadas nas pistas em iniciativas de impacto direto nas comunidades das cidades-sede. Entre os principais programas estão projetos de educação, sustentabilidade, inclusão, desenvolvimento profissional e aproximação entre o automobilismo e a população local.
Educação e sustentabilidade alcançam mais de 61 mil estudantes
Um dos principais destaques do relatório é o Driving Force, programa de educação em sustentabilidade e STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática), desenvolvido pela Fórmula E em parceria com o PIF.
A iniciativa alcançou 61.678 estudantes durante a temporada. Além dos conteúdos disponibilizados para utilização em sala de aula, o programa promoveu 15 workshops presenciais em escolas de Jeddah, Miami e Londres, reunindo 1.288 estudantes.
Os resultados apresentados pela Fórmula E indicam que 77% dos participantes afirmaram compreender melhor o impacto positivo que a tecnologia pode gerar no mundo, enquanto dois terços disseram ter se sentido inspirados a buscar carreiras relacionadas à contribuição para pessoas e para o planeta.
Entre os professores entrevistados, 90% consideraram que o Driving Force torna o aprendizado em STEM mais acessível.
Better Futures Fund amplia investimento
Outra frente de atuação foi o Better Futures Fund, criado para apoiar projetos comunitários nas proximidades dos circuitos.
Na temporada 2024/25, o programa recebeu € 250 mil em investimentos, aumento de 150% em relação ao período anterior. Os recursos foram destinados a iniciativas em 10 cidades-sede, beneficiando diretamente 8.847 pessoas.
Entre os projetos apoiados estão ações voltadas à redução de desigualdades, ampliação do acesso à educação e à saúde e fortalecimento de comunidades em situação de vulnerabilidade.
Entre os exemplos citados pela Fórmula E estão unidades móveis de atendimento na região de baixíssimas emissões (ULEZ), em Londres, e iniciativas de apoio a refugiados no Aeroporto de Tempelhof, em Berlim.
Automobilismo e transição energética
O relatório também destaca a contribuição da Fórmula E para o desenvolvimento de profissionais ligados à economia sustentável.
Segundo estimativa baseada em dados de referência da OCDE, os eventos do campeonato apoiaram aproximadamente 680 postos de trabalho equivalentes a tempo integral (FTE) relacionados à sustentabilidade ao longo das cadeias de fornecimento.
A categoria aponta que a transição para uma economia de baixo carbono depende não apenas do desenvolvimento tecnológico, mas também da formação de profissionais capazes de atuar nas novas demandas da economia sustentável.
FIA Girls on Track amplia participação feminina
O programa FIA Girls on Track também aparece entre os destaques da temporada, com 1.272 participantes.
A iniciativa busca aproximar jovens mulheres de oportunidades profissionais relacionadas ao automobilismo e às áreas de STEM. Segundo os dados apresentados no relatório, 50% das participantes demonstraram maior interesse em carreiras no automobilismo, enquanto 38% passaram a demonstrar maior interesse em STEM após a participação.
O programa foi complementado por uma sessão histórica de testes do Campeonato Mundial realizada exclusivamente com mulheres.
Comunidades ganham acesso aos bastidores
A Fórmula E também promoveu visitas aos bastidores das etapas para moradores das cidades-sede, grupos de jovens e comunidades sub-representadas.
Ao todo, 3.503 pessoas participaram das iniciativas, que permitiram o acesso ao paddock e às áreas dos boxes. A proposta é reduzir barreiras de acesso ao automobilismo, apresentar oportunidades profissionais e aproximar o campeonato das comunidades que recebem suas corridas.
Fórmula E reforça indicadores ambientais
Além dos resultados sociais, a temporada 2024/25 também foi marcada por novos reconhecimentos relacionados à sustentabilidade ambiental.
Pelo quarto ano consecutivo, a Fórmula E foi reconhecida como o esporte mais sustentável do mundo pelo Global Sustainability Benchmark in Sport (GSBS). Entre 78 organizações esportivas avaliadas, o campeonato alcançou 85% de pontuação geral, enquanto a média do setor ficou em 57%.
A categoria também obteve a certificação BSI Net Zero Pathway, concedida pelo British Standards Institution (BSI) após auditoria independente. Segundo a Fórmula E, a certificação está alinhada à norma internacional ISO 14064 e às Diretrizes ISO para Net Zero (IWA 42).
As metas estabelecidas incluem a redução de 50% das emissões dos Escopos 1 e 2 e de 27,5% das emissões do Escopo 3 até 2030, além de uma redução total de 90% das emissões até, no máximo, 2050.
Impacto social como parte da estratégia
Para Julia Pallé, vice-presidente de Sustentabilidade da Fórmula E, a medição do impacto social representa uma extensão do trabalho já realizado pela categoria na área ambiental.
“Embora o cálculo das emissões de carbono seja baseado em medições físicas diretas, quantificar o impacto humano exige um conjunto diferente de ferramentas. Na 11ª temporada, buscamos aplicar o mesmo padrão de responsabilidade à nossa pegada social, trabalhando com a Deloitte para desenvolver uma metodologia baseada em evidências para mensurar nosso trabalho”, afirmou.
Segundo Pallé, o alcance de mais de 86 mil pessoas e o valor social estimado em € 5,6 milhões demonstram o impacto que eventos esportivos podem gerar nas comunidades das cidades-sede.
Principais números da temporada 2024/25
- 86.007 pessoas impactadas, crescimento de 241% em relação à temporada anterior;
- € 5,6 milhões em valor social estimado;
- SROI de 2,7;
- 960 organizações comunitárias envolvidas;
- Aproximadamente 680 postos de trabalho FTE relacionados à sustentabilidade apoiados;
- € 250 mil destinados ao Better Futures Fund;
- 8.847 beneficiários do Better Futures Fund;
- 61.678 estudantes alcançados pelo Driving Force;
- 1.272 participantes no FIA Girls on Track;
- 3.503 moradores e integrantes de comunidades locais envolvidos em visitas aos bastidores;
- 85% de pontuação no GSBS, mantendo a Fórmula E na primeira posição do ranking pelo quarto ano consecutivo.
A Fórmula E informou que a Deloitte foi contratada para desenvolver o modelo e a metodologia utilizados para estimar os impactos socioeconômicos. A categoria ressaltou que é a responsável pela precisão do modelo, pelos resultados, pelos dados utilizados e pelo funcionamento da metodologia.
O Campeonato Mundial ABB FIA de Fórmula E é a principal competição internacional de monopostos totalmente elétricos. O campeonato alcançou a marca de 150 corridas e conta atualmente com fabricantes como Porsche, Jaguar, Nissan, Stellantis, Mahindra e Lola Cars, que utilizam a competição como ambiente de desenvolvimento de tecnologias relacionadas aos veículos elétricos.
A Fórmula E também é certificada como B Corp e afirma ser o primeiro e único esporte a obter essa certificação. A categoria mantém ainda o compromisso de operar como campeonato Net Zero Carbon e utiliza suas etapas como plataforma para o desenvolvimento de tecnologias e iniciativas relacionadas à transição para uma mobilidade de baixo carbono.
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