Eric Granado mira vitória na Moto 1000 GP e destaca evolução da motovelocidade brasileira

Em uma temporada marcada por disputas acirradas e pelo desafio de desenvolver uma nova motocicleta, Eric Granado, piloto da Honda na Moto 1000 GP, segue na briga pelas primeiras posições do campeonato. Com experiência internacional e passagem pelo Mundial de Motovelocidade, o piloto também exerce papel de referência para a nova geração brasileira.

Em entrevista à repórter Emilly Mariana, do PitStop F1, Granado falou sobre o desempenho na temporada, a expectativa para correr em Interlagos, os desafios da pista, seus rituais antes das provas e o futuro da motovelocidade brasileira.

PitStop F1: Eric, como você avalia seu desempenho e seus objetivos até agora na temporada?

Eric Granado: Está sendo uma grande temporada, muito disputada, com um nível muito alto no campeonato. Estamos trabalhando bastante com a nossa nova moto. Trocamos de moto este ano, para um modelo atual, então temos muito trabalho pela frente para entender como fazer essa moto ser competitiva. Estamos lutando bastante para conseguir a primeira vitória na corrida principal. Já consegui uma vitória na Sprint, mas estou sempre ali no pódio, na disputa. O foco é continuar crescendo, buscar vitórias e lutar por esse campeonato até o final.

PitStop F1: Qual é a expectativa para correr em Interlagos, uma das etapas mais prestigiadas do automobilismo brasileiro?

Eric Granado: A expectativa é muito boa. Aqui é corrida de casa, recebo minha família e meus amigos. Acho que aqui tem muito público, é uma das etapas que têm mais público na temporada. Com certeza vai ser um evento muito legal e vai fazer um clima muito bom no fim de semana. Vai estar lotado e é sempre muito especial correr aqui, nessa pista histórica.

PitStop F1: Qual é o trecho mais desafiador de Interlagos para correr de moto?

Eric Granado: Acho que, com certeza, é a Curva do Café, a curva final. É a curva mais rápida da pista e a gente faz a cerca de 250 km/h. É muito técnica, muito difícil e perigosa também por conta do muro próximo. Então acho que é essa a curva mais técnica para a gente.

PitStop F1: Existe algum ritual ou superstição antes da largada?

Eric Granado: Eu tenho muitos rituais. Até se eu te contar todos aqui, o pessoal vai achar que eu sou estranho. (risos) Mas acho que é uma forma de me concentrar e buscar meu foco. Com certeza, o principal para mim é me benzer antes de subir na moto e fazer uma oração antes de sair. Acho que todo mundo já viu que eu faço isso. Esse é o principal.

PitStop F1: Como você lida com a pressão e as comparações, principalmente por ter vindo de fora e ser um nome renomado na motovelocidade?

Eric Granado: Já estou acostumado. Acho que, no começo, isso era algo que talvez me deixasse um pouco mais tenso, mas hoje em dia tenho muitos anos de carreira e estou muito acostumado a competir no Brasil e lá fora. Acho que é importante que o pessoal tenha essa visão, porque eu realmente tenho uma experiência muito grande e corro fora há muitos anos.

Espero estar ajudando o campeonato a crescer e a aumentar o nível de pilotagem e o nível técnico das equipes. Acho que o importante é ajudar o esporte a crescer e, com certeza, fazer com que os outros pilotos evoluam também.

A gente vê que muitos pilotos estão em um nível altíssimo hoje em dia, inclusive pilotos que nunca correram fora. Isso é muito legal, porque mostra que o campeonato está crescendo e que o nível do motociclismo também está aumentando. Para mim, isso é o principal no meio de tudo isso.

PitStop F1: E como você enxerga a nova geração da motovelocidade brasileira?

Eric Granado: Acho que está em uma crescente. Com certeza estamos muito longe ainda do que o país pode oferecer. É um país muito grande, com muitas pessoas que amam o motociclismo. A gente não tem tantos pilotos correndo fora como países europeus, que são muito menores e têm uma população muito menor, mas acho que é um processo.

Já voltamos a ter um GP no Brasil e temos um piloto na MotoGP, o Diogo. Eu estive lá muitos anos no Mundial e, com certeza, acho que grande parte do meu trabalho ajudou o esporte a crescer e os pilotos a terem uma visão de que dá para chegar lá.

Obviamente, antes de mim vieram o Alexandre Barros e alguns outros pilotos que participaram do Mundial, mas acho que estamos no caminho. Já temos um GP aqui e mais categorias de base. É um processo lento, que acredito que vai melhorar com o passar dos anos.

Vamos ter um, dois, três, cinco pilotos no Mundial e também em outros campeonatos internacionais brigando de igual para igual. Acho que isso é importante: ter pilotos lá participando e no mesmo nível. É um processo e, aos poucos, vamos conseguir chegar lá.

PitStop F1: O que falta para o Brasil ter mais representantes no Mundial de MotoGP?

Eric Granado: Acho que é um pouco do que falei agora: precisamos caprichar ainda mais na base, ter mais autódromos e mais apoio de empresas.

No fim das contas, vemos como funciona com o futebol e com outros esportes em que temos vários atletas de alto nível. Acho que precisamos seguir o mesmo caminho. Obviamente, é um esporte muito caro. Não se compara ao futebol, porque o investimento é muito alto, assim como no automobilismo, mas acho que estamos muito melhor do que antes.

Quando comecei, há mais de 20 anos, não era nem perto do que é agora. Não existia categoria para criança, não havia apoio, não havia patrocínio e hoje em dia isso é muito diferente. Então acho que é um processo e, devagarzinho, o Brasil vai conseguir ganhar espaço e ter mais pilotos lá fora.

PitStop F1: E qual conselho você daria aos jovens pilotos, principalmente agora que está no paddock convivendo com crianças, jovens e adultos e sendo uma referência para eles?

Eric Granado: O conselho que dou é para continuar se dedicando, fazer o máximo e sempre dar o melhor de si. Não desistam. É muito difícil, é um processo muito complicado. Eu vivi muitos momentos em que pensei em desistir e achei que não era para mim, que não ia dar certo.

Mas sempre tive muita gente me apoiando e minha família também esteve ao meu lado. Então esse recado também vale para os pais: apoiem, deem o máximo de suporte, porque isso faz toda a diferença para o piloto, ainda mais quando é uma criança e está naquele momento de decisão e escolha.

De repente, como aconteceu com outros pilotos que começaram comigo, no meio do caminho eles pararam. Então continuem acreditando. Família e piloto: não desistam, porque vai dar certo.

FOTO: MOTO1000GP/Grelak Comunicação

Deixe um comentário