No evento principal da IMSA Michelin Pilot Challenge, a prova de 4 horas foi marcada pelo time do Brasil mostrando que chegou para ficar nas pistas americanas.
Havia muito mais acontecendo do que os números podiam contar. No coração do Mid-Ohio Sports Car Course, durante a 4ª etapa da IMSA Michelin Pilot Challenge, a Stallion Motorsports (Pagid Racing / CSM Performance / Velocity Racing / SODI Race Team / AMED / Oeste Cotton) escreveu mais um capítulo de sua história com garra, inteligência e um coração que não conhece desistência. A equipe inteiramente brasileira terminou a maratona de 4 horas na 5ª colocação geral da categoria TCR, resultado que, por si só, pouco revela sobre a magnitude do que foi vivido dentro e fora da pista.
Ao volante do Cupra Leon VZ de número 77, os pilotos Raphael Reis e Celso Neto demonstraram desde os primeiros metros que não estavam ali para figurar. Com outros 35 concorrentes na grid da categoria TCR, o desafio era enorme e a resposta da dupla, à altura. Raphael Reis assumiu o volante na largada, após colocar o Cupra 77 na 7ª posição para a bandeira verde.
Nos 240 minutos de prova, a Stallion Motorsports operou como um organismo único: pilotos, engenheiros, mecânicos e estrategistas funcionando em perfeita harmonia. As três paradas nos boxes para troca de pilotos foram realizadas com uma precisão que rivalizou com as maiores equipes do campeonato. Cada segundo economizado, cada ajuste executado com exatidão, refletindo a cultura de excelência que distingue a equipe.
A estratégia traçada pelo time revelou-se um trunfo fundamental. Manter ritmo de pódio em uma das corridas de endurance mais exigentes da temporada não é tarefa para equipes despreparadas. A Stallion não apenas manteve o ritmo, como o superou. Raphael Reis, em seu stint, cravou o 4º melhor tempo de volta entre todos os carros da TCR.
Celso Neto, porém, reservou para o capítulo final da corrida o argumento mais poderoso em favor da velocidade da equipe. O piloto baiano cravou a 2ª volta mais rápida de todo o grid da TCR e em seu último stint, transformou o Cupra Leon VZ no carro mais veloz da prova naquele momento. O número 77 voou pelo traçado de Mid-Ohio, mostrando que tem velocidade e estava ali.
O caminho para tentar chegar ao pódio, contudo, não seria percorrido sem obstáculos. Após voltar à pista na 6ª posição, no trecho final da corrida, Celso Neto recebeu um toque que jogou o Cupra 77 para a 10ª colocação. Um golpe que, em muitas equipes, poderia ter significado a quebra do espírito competitivo. Neto respondeu com resiliência e nas voltas finais, promoveu uma recuperação exemplar, para cruzar a linha de chegada na 5ª posição.
Entre os muitos aspectos que marcaram a atuação da equipe em Mid-Ohio, a confiabilidade do equipamento merece destaque especial. Em quatro horas de prova intensa, o Cupra Leon VZ não vacilou uma única vez — uma prova de que a preparação técnica foi tão rigorosa quanto a preparação física dos pilotos. Em particular, o sistema de freios do carro foi objeto de elogios dentro e fora da equipe, entregando performance constante do início ao fim e dando aos pilotos a confiança necessária para atacar os limites da máquina sem hesitação.
Pedro Moisés, chefe da equipe, não escondeu a mistura de sentimentos ao final da prova: “Infelizmente, as corridas às vezes têm variáveis fora do nosso controle. O pódio estava ao nosso alcance, mas não veio. Quero agradecer a todos os mecânicos, engenheiros, estrategistas, membros da equipe, parceiros e apoiadores que tornaram este desempenho possível. Um agradecimento especial à PAGID Racing. Nas 4 horas de prova em Mid-Ohio, o desempenho de frenagem foi simplesmente excepcional do início ao fim.”
A jornada da Stallion Motorsports não para. A próxima etapa da IMSA Michelin Pilot Challenge está marcada para o período de 25 a 28 de junho, no histórico circuito de Watkins Glen, no estado de Nova Iorque, uma das pistas mais tradicionais do automobilismo norte-americano. Celso Neto, Raphael Reis e toda a estrutura da Stallion Motorsports chegam ao próximo compromisso com o objetivo de transformar em pódio tudo o que a corrida de Ohio demonstrou ser possível.
FOTO: (KMCom / Manuel Agüero)
