Fórmula 1 pode retornar à África em 2030 com Grande Prêmio em Ruanda

País teria chegado a um acordo para receber a categoria e planeja construir um novo autódromo nos arredores de Kigali; anúncio oficial pode acontecer ainda em 2026

A Fórmula 1 pode estar prestes a encerrar uma espera de quase quatro décadas para voltar a disputar um Grande Prêmio no continente africano. Segundo apuração publicada pelo RacingNews365 nesta terça-feira (6), Ruanda teria chegado a um acordo para integrar o calendário da categoria a partir de 2030, com um projeto de circuito permanente próximo à capital Kigali.

De acordo com fontes ouvidas pelo site especializado, as negociações avançaram a ponto de um acordo ter sido alcançado entre as partes. Um anúncio oficial poderá ser realizado ainda neste ano, possivelmente nas próximas semanas, caso os últimos detalhes do projeto sejam concluídos.

Para viabilizar a chegada da Fórmula 1, Ruanda precisará construir um autódromo capaz de atender aos rigorosos padrões exigidos pela Federação Internacional de Automobilismo (FIA). O projeto prevê uma pista permanente localizada a aproximadamente 40 quilômetros de Kigali, nas proximidades do Aeroporto Internacional de Bugesera.

O desenho do circuito ficaria a cargo da WurzDesign, empresa comandada pelo ex-piloto de Fórmula 1 Alexander Wurz. O austríaco, que disputou 69 Grandes Prêmios entre 1997 e 2007, também atua no desenvolvimento de circuitos e projetos ligados ao automobilismo.

Atualmente, Ruanda não possui nenhuma pista com estrutura e homologação necessárias para receber uma etapa da principal categoria do automobilismo mundial. A construção de um novo complexo, portanto, seria um dos principais pilares da candidatura do país.

Conversas com a Fórmula 1 avançam desde 2024

O interesse de Ruanda em receber a Fórmula 1 não é recente. As conversas ganharam força nos últimos anos e foram reconhecidas publicamente por Stefano Domenicali, presidente e CEO da categoria, em agosto de 2024.

Meses depois, em dezembro, o país formalizou sua candidatura durante a semana das assembleias gerais e da cerimônia de premiação da FIA, realizada justamente em Kigali. Na ocasião, o presidente ruandês Paul Kagame apresentou oficialmente o interesse do país em receber uma etapa da Fórmula 1.

Desde então, Ruanda passou a trabalhar na estruturação de um projeto capaz de atender às exigências esportivas e comerciais da categoria.

A possibilidade de uma corrida no país também representa uma estratégia de expansão da Fórmula 1 para novos mercados. Nos últimos anos, a categoria ampliou sua presença fora de seus mercados tradicionais e passou a investir em diferentes regiões do mundo, enquanto busca equilibrar seu calendário entre circuitos históricos e novos destinos.

África está fora do calendário desde 1993

FOTO: F1-Fansite

A confirmação de Ruanda representaria um momento histórico para a Fórmula 1. O continente africano não recebe um Grande Prêmio desde 1993, quando a categoria esteve pela última vez no circuito de Kyalami, na África do Sul.

A prova foi realizada em 14 de março de 1993 e terminou com vitória de Alain Prost, da Williams. Ayrton Senna, então piloto da McLaren, cruzou a linha de chegada na segunda posição, enquanto Mark Blundell completou o pódio pela Ligier.

Desde a saída da África do Sul do calendário, diversas possibilidades de retorno do continente foram discutidas ao longo das décadas, mas nenhuma delas conseguiu se concretizar de forma definitiva.

Agora, Ruanda surge como o projeto mais avançado para recolocar a África no mapa da Fórmula 1.

Projeto ainda depende de etapas importantes

Apesar do avanço nas negociações, a realização do Grande Prêmio em 2030 ainda depende da conclusão de uma série de etapas. Entre elas estão o desenvolvimento e a construção do circuito, a obtenção das licenças necessárias e a homologação da pista pela FIA.

Além disso, será necessário que o projeto mantenha sua viabilidade financeira e estrutural até a data prevista para a estreia.

Caso o acordo seja oficialmente confirmado e todas as etapas sejam cumpridas, Ruanda poderá se tornar o primeiro país africano a receber a Fórmula 1 desde a África do Sul, recolocando o continente no calendário da categoria após 37 anos de ausência.

FOTO: Ruanda/Reprodução

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